A BASÍLICA DE VÉZELAY E A ABADIA DE FONTENAY – CAMINHOS DA BORGONHA

Três dias depois de chegarmos a Blois, deixamos o Vale do Loire e seguimos rumo à Borgonha. As estradas francesas são maravilhosas. As autoestradas são pedagiadas e o pedágio é muito caro, mas para grandes distâncias vale muito a pena. Rodamos nesse dia, cerca de 365 km e pagamos aproximadamente 34,00 Euros de pedágio.

Zona rural no Vale do Loire.

Zona rural no Vale do Loire.

O destino era Beaune, mas no caminho decidimos fazer algumas paradas para aproveitar a viagem. A primeira foi em Vézelay, uma pequena cidade nas colinas da Borgonha, que se tornou um centro de peregrinação cristã na Idade Média, por abrigar relíquias de Santa Maria Madalena.

A cidadezinha de Vézelay

A cidadezinha de Vézelay

A Basílica de Santa Madalena com o seu aspecto dourado é vista desde a base da colina. Era por aí que os peregrinos subiam para reverenciar as relíquias de Santa Madalena, no caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Hoje sobem os turistas pelas ruas estreitas da cidade.

A Basílica de Santa Madalena em Vézelay

A Basílica de Santa Madalena em Vézelay

A Basílica é uma construção românica com magníficas esculturas e um coro gótico. No subsolo existe uma cripta que acreditava-se, possuía as relíquias da Santa Maria Madalena.

A cripta onde ficavam as relíquias de Santa Madalena

A cripta onde ficavam as relíquias de Santa Madalena

Atrás da basílica existe um lindo jardim, com uma vista maravilhosa dos campos e vinhedos da Borgonha.

Os campos da Borgonha

Os campos da Borgonha

Seguimos viagem para Beaune, fizemos um segundo desvio para conhecer a Abadia de Fontenay. Um grande complexo localizado nos arredores da cidade de Montbard, construído na Idade Média, no ano de 1118 e é a mais antiga representação da Irmandade Cisterciense da França.

 A Abadia de Fontenay

A Abadia de Fontenay

A Abadia foi fundada por São Bernardo, um jovem nobre da Borgonha, que decidiu viver na pobreza e na simplicidade de vida dos Cistercienses. Na época a irmandade era muito nova, tinha apenas 14 anos de fundada, por um grupo de jovens monges decididos a abandonar o estilo requintado de vida que tinham.

O dormitório simples dos Cistercienses

O dormitório simples dos Cistercienses

Durante a vida de Bernardo, os cistercienses se transformaram numa das mais famosas ordens do seu tempo. Parte desse sucesso deveu-se à liderança e personalidade de Bernardo como escritor, teólogo e estadista. Foi canonizado em 1174, apenas 21 anos após a sua morte.

Detalhe da área externa da Abadia de Fontenay

Detalhe da área externa da Abadia de Fontenay

A Abadia de Fontenay é um complexo muito interessante. Possui uma grande igreja em estilo românico, e no complexo é possível entender um pouco da vida dos monges Cistercienses. Eram reclusos, dormiam coletivamente em esteiras estendidas no chão, passavam frio e outras necessidades, como forma de penitência.

Cláustro da Abadia de Fontenay

Cláustro da Abadia de Fontenay

Saímos de Fontenay e seguimos para Beaune, chegamos lá no início da noite e ficamos hospedados no bom Hotel de La Poste. Com uma excelente localização, ao lado da muralha que cerca a cidade antiga. Do hotel podíamos fazer tudo a pé, sem necessidade de transporte. Nessa primeira noite jantamos no próprio restaurante do hotel.

Hotel de La Poste em Beaune

Hotel de La Poste em Beaune

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CHEVERNY E CHAUMONT – MAIS DOIS CASTELOS DO LOIRE

Uma das grandes surpresas que tivemos no Vale do Loire foi o Castelo Cheverny. Não esperávamos tanto. O Cheverny é um castelo charmoso e que possui um riquíssimo acervo de mobiliário e objetos pertencentes à família Hurualt.

O Palácio Cheverny, ainda ocupado como propriedade particular.

O Palácio Cheverny, ainda ocupado como propriedade particular.

O Castelo Cheverny é um dos raros exemplos de longevidade e continuidade de propriedade num castelo francês por tanto tempo. Pertence à mesma família desde o século XIII. São cerca de 800 anos de propriedade do mesmo grupo familiar.

O rico interior do Palacio Cheverny

O rico interior do Palacio Cheverny

O Castelo aparece muito bem conservado, os cômodos retratam a história da família, um pouco da história da França e do Vale do Loire. Cheverny é famoso pelos seus interiores, objetos e mobiliário.

Ricos objetos compõem o acervo de Cheverny.

Ricos objetos compõem o acervo de Cheverny.

O Cheverny é um dos poucos castelos abertos à visitação pública e que manteve a família vivendo e convivendo com o local. Dentre as tradições que são mantidas em Cheverny, a maior delas é a caça com cães, que podem ser vistos pelo público que visita o local. Hoje  a matilha do Cheverny possui mais de 100 animais.

Armadura infantil em Cheverny

Armadura infantil em Cheverny

Dos castelos do Vale do Loire, o Chaumont-Sur-Loire chama a atenção pela arquitetura medieval. O castelo fica no alto de uma colina nas margens do Rio Loire, o que configura uma localização estratégica do ponto de vista militar. Foi construído no século X, por Odo I, Conde de Blois, para vigiar a fronteira entre o condado de Blois e o Condado de Anjou, históricos rivais na região.

O Castelo-Fortaleza de Chaumont

O Castelo-Fortaleza de Chaumont

Na entrada do Castelo uma ponte suspensa dá as boas vindas. Nos arredores existem belos e amplos jardins, com árvores maravilhosas, dentre elas destacam-se os Cedros do Líbano.

A ponte suspensa e os Cedros do Líbano.

A ponte suspensa e os Cedros do Líbano.

Na segunda metade do século XVI, o Castelo de Chaumont passa a ser residência de Diana de Poitiers, ex-amante do Rei Henrique II, que recebeu a propriedade como compensação da sua rival, Catarina de Medicis, esposa de Henrique II, após a morte do marido. Foi expulsa do seu castelo anterior, o Chenonceau, que por sua vez ficou com Catarina, a nova regente do reino.

Lindo vitral de Adão e Eva no Castelo de Chaumont

Lindo vitral de Adão e Eva no Castelo de Chaumont

À noite voltamos ao bom restaurante Le Hotel Antique.

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CHAMBORD, O MAIOR CASTELO DO VALE DO LOIRE

O Castelo/Palácio de Chambord impressiona desde a chegada. Fica localizado numa área ampla, cercado por grandes jardins e canais, no meio de florestas temperadas. Uma localização estratégica para o seu objetivo final: Ser um Castelo de Caça.

O maravilhoso Palácio de Chambord

O maravilhoso Palácio de Chambord

É o maior de todos os Palácios de Vale do Loire. Bonito e imponente. Foi construído para servir como Castelo de Caça para o Rei Francisco I. Aquele mesmo que viveu no Palácio de Amboise e que teve Leonardo da Vinci como seu conselheiro.

O Castelo de Caça de Francisco I

O Castelo de Caça de Francisco I

A construção do Castelo de Chambord data do início do século XVI (1519 a 1547). Existe uma corrente de historiadores que acredita ter sido Leonardo da Vinci o responsável pelo desenho original do Palácio de Chambord e atribuem a ele o planejamento da escadaria em dupla-hélice no centro do Palácio. Quem sobe ou desce por caminhos diferentes na escadaria, apenas se encontra em cada piso.

A escadaria em dupla-hélice atribuída a Leonardo da Vinci

A escadaria em dupla-hélice atribuída a Leonardo da Vinci

Como foi construído para servir de apoio às caças do Rei Francisco I, O palácio de Chambord foi pouco habitado. O próprio Francisco I foi aí poucas vezes, estima-se que passou em Chambord, pouco mais de sete semanas, incluindo as curtas temporadas de caça. Esse foi o motivo pelo qual Chambord nunca foi totalmente mobiliado.

Os salões do Palácio de Chambord são pouco mobiliados.

Os salões do Palácio de Chambord são pouco mobiliados.

As idas de Francisco I para Chambord eram grandes acontecimento. Iam para lá, cerca de 2 mil pessoas, que ficavam hospedadas no Castelo. Os móveis eram transportados em caravanas e depois voltavam para os seus lugares de origem, numa operação de logística gigantesca. Essas caravanas de mobiliário, fez surgir tipos de móveis que poderiam ser armados e desarmados rapidamente, talvez tenham sido fonte de inspiração para móveis modernos e práticos.

A decoração do Palácio sempre lembra a caça.

A decoração do Palácio sempre lembra a caça.

Após a morte de Francisco I em 1547, o Castelo de Chambord ficou abandonado e quase vira ruína. A sua recuperação começou a acontecer a partir de 1639, com Luís XIII e continuou com Luís XIV, que também utilizou Chambord como Castelo de Caça.

O Palácio de Chambord

O Palácio de Chambord

Outros moradores famosos do Palácio de Chambord foram: Stanislas Leszczynski, Rei deposto da Polônia e sogro de Luís XV e o Marechal Maurice de Saxe, que defendeu Luís XV e instalou em Chambord o seu regimento.

A salamandra, símbolo maior de Francisco I, o verdadeiro Senhor do Castelo.

A salamandra, símbolo maior de Francisco I, o verdadeiro Senhor do Castelo.

Com a Revolução Francesa o Palácio foi depredado, os móveis foram vendidos a preço de madeira ou queimados nas lareiras. A história de Chambord sempre oscilou entre a glória e o abandono. Somente depois da Segunda Guerra Mundial ele foi restaurado e hoje é uma das principais atrações turísticas da França.

O Castelo Chambord - símbolo de riqueza e poder no Vale do Loire.

O espelho do Castelo Chambord

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CHENONCEAU, O CASTELO DAS SETE DAMAS

Saímos de Tours e seguimos para o Castelo Chenonceau. Muitos dizem que é o mais belo dos castelos do Loire e, de fato, desde a chegada, o Castelo se mostra diferente de tudo que já vimos. Na chegada os jardins já impressionam. Um longo caminho de plátanos, cercado de muita água leva até o sítio do Castelo.

O acesso de plátanos ao Castelo Chenonceau

O acesso de plátanos ao Castelo Chenonceau

Nos arredores do castelo, belos jardins simétricos compõem o visual, que se completa com o reflexo do Chenonceau nas águas do rio Cher, um dos afluentes do Rio Loire.

Os jardins de Chenonceau

Os jardins de Chenonceau

O Castelo de inigualável beleza foi construído sobre uma ponte que atravessa o rio, como um capricho dos seus idealizadores. É o segundo castelo mais visitado da França, perdendo apenas para Versalhes. Forma uma imensa galeria com 60 metros de comprimento, construída sobre arcadas.

O Castelo Chenonceau.

O Castelo Chenonceau.

A história do castelo vem da Idade Média, século XIII, mas a formação atual começou a surgir no século XVI, com Thomas Bohier, Camareiro do Rei Carlos VIII, que o adquiriu em 1513. Thomas Bohier iniciou a construção do Castelo, que teve a supervisão direta da sua esposa Catherine Briçonnet, que iniciou a sina de fazer com que Chenonceau fosse denominado o “Castelo das Sete Damas”, duas das quais foram Rainhas da França. Catherine foi a primeira destas Damas.

A Grande Galeria

A Grande Galeria

A segunda e mais importante das mulheres que ocuparam o Castelo de Chenonceau foi Diana de Poitiers, amante de Henrique II, que recebeu o castelo de presente do seu Rei. Diana cuidou do Castelo como ninguém, foi a verdadeira Senhora do Castelo. Construiu os seus maravilhosos jardins e somente perdeu a propriedade com a morte de Henrique II em 1559.

Quarto de Rainha do Palácio Chenonceau

Quarto de Rainha do Palácio Chenonceau

Com a morte de Henrique II, a viúva e regente da França, Catarina de Médicis, assumiu o Castelo e desalojou Diana De Poitiers. Como não podia despejá-la totalmente, trocou o Castelo de Chenonceau pelo Castelo de Chaumont, onde Diana de Poitiers passou a viver.

Retrato de Catarina de Medicis

Retrato de Catarina de Medicis

Catarina de Medicis passou a ser a terceira Dama de Chenonceau, gastou uma fortuna no Palácio, fazendo reformas e festas espetaculares. Foi Catarina quem construiu a Grande Galeria sobre o Rio Cher, a marca maior do Castelo Chenonceau. Outra “festa de arromba” de Catarina em Chenonceau aconteceu na coroação do seu filho, Henrique III, ao trono da França, quando ela executou a primeira queima de fogos de artifícios no país.

Detalhes da cozinha do Palácio Chenonceau.

Detalhes da cozinha do Palácio Chenonceau.

Após a morte de Catarina de Medicis em 1589, o Palácio passou para a sua nora, Louise de Lorraine-Vaudémont, esposa de Henrique III que morreu muito jovem. Com a morte de Henrique III, Louise, a quarta Dama do Palácio, entrou em depressão, passou a usar apenas roupas brancas, decorou o seu quarto com tapeçarias pretas (é assim até hoje) e acabou com as festas do Palácio. Chenonceau passou a viver sobre uma eterna atmosfera de luto.

A cama fúnebre de Louise de Lorraine.

A cama fúnebre de Louise de Lorraine.

Gabrielle d’Estrées, amante de Henrique IV, foi a quinta Dama a viver no Palácio, a partir de 1624. Françoise de Lorraine, a Duqueza de Vendôme foi a sexta.

Detalhe do Castelo Chenonceau

Detalhe do Castelo Chenonceau

A última grande Dama do Palácio foi Madame Luise Dupin, que trouxe a vida de volta ao Palácio recebendo líderes do Iluminismo como: Voltaire, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau, dentre outros. Conseguiu salvar o Palácio da destruição durante a Revolução Francesa, negociando com os seus líderes.

A riqueza de decoração no interior do Palácio.

A riqueza de decoração no interior do Palácio.

À noite voltamos para Blois e fomos jantar no excelente e barato restaurante Le Hotel Antique, com um serviço maravilhoso e aconchegante.

Os plátanos dão um show de imagem

Os plátanos dão um show de imagem

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O CASTELO DE AMBOISE E O CLOS-LUCÉ, A MORADA DE LEONARDO DA VINCI

Em nossa visita ao Vale do Loire, escolhemos Blois, nas margens do rio, como ponto de partida para as nossas jornadas. O motivo foi a localização estratégica, pois a cidade fica numa posição bem central em relação às atrações que iríamos ver.

Ponte sobre o Rio Loire em Blois

Ponte sobre o Rio Loire em Blois

Deixamos o carro no hotel e descemos andando pelas ladeiras de Blois em busca de um restaurante. A cidade estava surpreendentemente vazia, pouco movimentada. O nosso hotel ficava na parte alta de Blois e as ladeiras são íngremes, o movimento maior de pessoas fica na parte baixa, acho que tudo isso contribuiu para que não tivéssemos uma impressão tão boa da cidade.

A cidade de Blois

A cidade de Blois

Blois fica nas margens do Rio Loire e teve o seu apogeu a partir do século XV, quando passou a ser domínio real e sede da realeza. O Castelo de Blois é o monumento mais importante da cidade e teve a sua origem num passado remoto do século IX, pertenceu a inúmeros senhores feudais até chegar aos Duques de Blois. Em 1498, um deles se torna Rei e Blois passa ser a sede do reinado de Luís XII. Cem anos depois, Henrique IV transferiu a corte para Paris e a importância de Blois diminuiu bruscamente.

O Castelo de Blois no centro da cidade

O Castelo de Blois no centro da cidade

Decidimos começar o dia seguinte pela cidade de Tours, que fica no “coração” do Vale do Loire, de onde partiríamos para ver os primeiros Castelos. Tours é uma das mais importantes cidades do Vale do Loire, possui aproximadamente 150 mil habitantes. Uma população universitária jovem, que anima a cidade.

As cerejeiras na primavera de Tours

As cerejeiras na primavera de Tours

No século XV, Luís XI fez de Tours a capital da França, posição que ela rivalizou com Blois. A cidade sofreu muito durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi recuperada a partir da década de 60.

O centro medieval de Tours

O centro medieval de Tours

A cidade fica nas margens dos rios Cher e Loire. O centro histórico da cidade é medieval e conhecido pelas casas com madeirame, pátios escondidos e torres vergadas.

As casas de madeirame no centro medieval de Tours

As casas de madeirame no centro medieval de Tours

Os destaque ficam por conta da Catedral de Saint Gatien com seus vitrais maravilhosos e do Museu de Belas Artes localizado no antigo palácio do arcebispo, com um belíssimo Cedro do Líbano no jardim.

A Catedral Saint Gatien de Tours

A Catedral Saint Gatien de Tours

Saímos de Tour  e seguimos para Amboise, onde fomos visitar o Castelo que leva o nome da cidade e o Castelo Clos-Lucé que serviu de morada para Leonardo da Vinci.

O Castelo de Amboise

O Castelo de Amboise

O Castelo de Amboise fica numa situação privilegiada e bastante protegida, no alto de uma colina, às margens do Rio Loire, de onde se tinha uma ampla visão do rio. O acesso se dá por uma grande rampa que era utilizada para a subida de homens e cavalos.

A visão do Rio Loire a partir do Castelo de Amboise

A visão do Rio Loire a partir do Castelo de Amboise

Um dos principais moradores do Castelo de Amboise foi Francisco I, que levou Leonardo da Vinci para Amboise em 1515 e teve a sua companhia nos últimos anos de vida do artista. Leonardo da Vinci se tornou conselheiro e era protegido por Francisco I. Está enterrado aí no Castelo de Amboise, na Capela de Saint Hubert, pequena e charmosa é uma obra prima da arquitetura gótica.

A charmosa capela de Saint Hubert

A charmosa capela de Saint Hubert

A imagem de Francisco I o patrono de Leonardo da Vinci

A imagem de Francisco I o patrono de Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci

Saímos do castelo de Amboise e seguimos andando para a segunda atração da cidade, o Castelo de Clos-Lucé, que serviu de morada para Leonardo da Vinci e onde está em exposição, várias maquetes de criações feitas pelo artista, como tanques de guerra, paraquedas, bicicletas, etc.

O Castelo Clos-Lucé onde viveu Leonardo da Vinci

O Castelo Clos-Lucé onde viveu Leonardo da Vinci

Leonardo chegou a Amboise com três das sua pinturas mais famosas: Monalisa, Sant’Ana e São João Batista. Aí ficou até o fim da sua vida em 1519. Viveu e trabalhou em Clos-Lucé. Diz-se que o Clos-Lucé está ligado ao Castelo de Amboise por uma passagem subterrânea.

A maquete do Tanque de Guerra de Leonardo da Vinci

A maquete do Tanque de Guerra de Leonardo da Vinci

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O VALE DO LOIRE E O CASTELO DE ANGERS

Saímos cedo pela manhã pois tínhamos uma viagem longa pela frente, aproximadamente 350 km até Blois no Vale do Loire. Na saída ainda buscamos pontos estratégicos para fazermos as últimas fotos do Monte Saint-Michel. O dia estava favorável, tinha uma boa luz, ao contrário do dia anterior que passamos por lá.

A última foto do Monte Saint-Michel.

A última foto do Monte Saint-Michel.

Ainda na região, seguimos as placas na estrada para conhecer o Cemitério Alemão da Segunda Guerra Mundial na Normandia. É muito mais simples que os outros que visitamos (americanos e canadenses). Na realidade são criptas coletivas, dispostas num formato circular onde estão os restos mortais de soldados alemães mortos na região.

O Cemitério Alemão da Normandia.

O Cemitério Alemão da Normandia.

Seguimos por estradas secundárias, passando por vilarejos típicos e pela zona rural da Normandia, com belas paisagens emolduradas pela estrada. Na região, a pecuária se destaca, além da produção de maçã.

A paisagem rural da Normandia.

A paisagem rural da Normandia.

Entramos na Região do Vale do Loire pela cidade de Angers. Escolhemos Angers pela estratégia dos caminhos e da estrada. A cidade que possui cerca de 170 mil habitantes, é um polo industrial e fica numa das extremidades da área conhecida como Vale do Loire. Angers é a histórica capital dos Duques de Anjou e berço dos Plantagenetas.

A cidade de Angers nas margens do Rio Maine.

A cidade de Angers nas margens do Rio Maine.

O Rio Loire corre de leste para oeste, em direção ao Oceano Atlântico e ao longo do seu caminho existe uma grande quantidade de castelos, são mais de 300, que foram instalados aí pela corte francesa ao longo da sua história, desde a Idade Média.

Ponte sobre o Rio Loire

Ponte sobre o Rio Loire

As cidades do Vale foram beneficiadas pela implantação dos castelos e transformadas em polos importantes de atração turística na França, dentre elas destacam-se: Blois, Amboise, Angers, Orleans e Tours.

Casario na cidade de Amboise

Casario na cidade de Amboise

Os castelos mais antigos foram construídos como grandes fortificações a partir do século X. Quinhentos anos depois a arquitetura desses castelos foi se transformando, ganhando mais leveza e luxo, deixando de ser uma máquina de guerra e sendo transformado em palácios, com ênfase em design e paisagismo.

O Castelo-Fortaleza de Chaumont

O Castelo-Fortaleza de Chaumont

A partir do século XVI, o centro do poder na França deixou o Vale do Loire e se transferiu para Paris. Com a construção do Palácio de Versalhes nos arredores de Paris o Vale do Loire perdeu em importância, mas mesmo assim a alta burguesia francesa continuou a recuperar palácios existentes e a construir novos, como residência de verão.

O Palácio Cheverny, ainda ocupado como propriedade particular.

O Palácio Cheverny, ainda ocupado como propriedade particular.

A Revolução Francesa destruiu muitos castelos e palácios e saqueou os seus tesouros. O empobrecimentos dos nobres depostos fez com que muitos castelos fossem demolidos, mas os que sobreviveram contam uma história de riqueza e poder.

O Castelo Chambord - símbolo de riqueza e poder no Vale do Loire.

O Castelo Chambord – símbolo de riqueza e poder no Vale do Loire.

Durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, alguns foram transformados em Quartéis-generais militares e continuam a ser utilizados dessa maneira até hoje, porém muitos servem como propriedades privadas, habitação, albergues, hotéis e outros são abertos a visitação pública, atraindo milhares de turistas todos os anos.

Castelo Chenosceau, um dos que mais atrai visitantes.

Castelo Chenosceau, um dos que mais atrai visitantes.

O Castelo de Angers fica no alto de uma colina na beira do Rio Maine, um dos afluentes do Rio Loire. É um típico castelo medieval, que remonta à época inicial de implantação dessas estruturas no Vale do Loire. Possui uma muralha fortificada cercada por fossos.

A impressionante fortaleza medieval do Castelo de Angers

A impressionante fortaleza medieval do Castelo de Angers

O Castelo de Angers é chamado Château du Roi René (Castelo do Rei Renato) e foi construído num dos locais ocupados pelos romanos em território francês, em função da sua localização estratégica sobre a colina na margem do rio.

Os fossos cercam o Castelo de Angers

Os fossos cercam o Castelo de Angers

A origem do Castelo data do século IX, mas a fortaleza com o formato atual somente começou a ser construída a partir de 1230. As muralhas do Castelo possuem cerca de 800 metros de comprimento e é cercado por 17 torres, com alta capacidade de defesa.

Pátio interno do Castelo de Angers

Pátio interno do Castelo de Angers

Na base das tores um grande fosso cercando toda a estrutura que hoje possui jardins em estilo medieval.

Os jardins medievais no interior dos fossos

Os jardins medievais no interior dos fossos

Hoje o Castelo pertence ao município de Angers e foi transformado em museu. O seu principal acervo é a mais antiga e maior coleção de tapeçarias medievais do mundo, com destaque para a “Tapeçaria do Apocalipse”, o seu maior tesouro. O tapete possui 70 cenas do apocalipse, com cerca de 100 metros de comprimento, por 4,5 metros de altura. A tapeçaria foi encomendada para Luís I Duque d’Anjou em 1373 e conta a história do apocalipse segundo São João.

Detalhe da incrível Tapeçaria do Apocalipse

Detalhe da incrível Tapeçaria do Apocalipse

Deixamos o Castelo de Angers e seguimos viagem. Chegamos a Blois no final da tarde, onde ficamos hospedados, por três noites, no Holliday Inn. O hotel é bastante razoável, com um quarto confortável e uma boa localização, nada além disso.

O Castelo de Blois no centro da cidade

O Castelo de Blois no centro da cidade

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O ESPETACULAR MONTE SAINT-MICHEL

Depois de uma longa estrada, finalmente chegamos à região do Monte Saint-Michel. Passei a vida inteira ensinando geografia e a imagem do Monte Saint-Michel sempre me acompanhou com um misto de desejo e fascínio. Nessa região do Canal da Mancha, existe uma das maiores marés do mundo. A amplitude pode chegar a 15 metros em alguns meses do ano nas marés de sizígia. Isso transforma o Monte Saint-Michel num híbrido de ilha e península. Ilha quando a maré sobe bastante e península quando a maré desce.

O Monte Saint-Michel. Ilha ou península, depende da maré.

O Monte Saint-Michel. Ilha ou península, depende da maré.

Começamos a avistar o monte a 20 km de distância. Quando nos aproximamos um pouco mais, a bruma envolvia toda a estrutura do Monte Saint-Michel  e aumentava a áurea de encanto e mistério. Parecia algo divino, feito numa outra dimensão. A torre mais alta do mosteiro onde aparece a imagem do Arcanjo Miguel, se ergue como que querendo tocar o céu. Aumentou a ansiedade para chegarmos logo ao destino.

O Monte envolvido pela bruma da Normandia.

O Monte envolvido pela bruma da Normandia.

Ficamos hospedados no Hotel Mercury, localizado dentro do Parque que dá acesso ao Monte Saint-Michel. O hotel é simples, mas possui uma localização espetacular. Na chegada ficamos parados numa barreira que dá acesso apenas aos hóspedes desse e de alguns outros poucos hotéis que existem por aí, mas não foi difícil entender como entrar, pois da barreira avistamos o Mercury e concluímos que estávamos no lugar certo.

Restaurante La Mère Poulard, caro e não muito bom.

Restaurante La Mère Poulard, caro e não muito bom.

Jantamos no interior do Monte Saint-Michel, num restaurante para turistas em cujos pratos principais constam o omelete e o Cordeiro Pré Salé, típicos dessa região da Normandia. O cordeiro das fazendas vizinhas se alimenta das pradarias inundadas pela maré alta e acredita-se, que por isso, tenha uma carne pré-salgada naturalmente. Não foi um jantar especial, apesar do ambiente maravilhoso.

O Monte Saint-Michel à noite.

O Monte Saint-Michel à noite.

Ao sair do Monte Saint-Michel vimos uma cena encantadora e indescritível. Pena que não estava com o tripé da máquina fotográfica para gravar uma das mais bonitas imagens que já vi. A lua tinha um rasgo de “unha” minguante, quase desaparecendo, porém intensamente brilhante, atrás do mosteiro. Servia para emoldurar, na noite estrelada, o monte iluminado por uma luz tênue. A beleza da imagem era algo abençoado. Fotografei com a retina, retinei. Só não posso reproduzir. Fica na imaginação.

Existe um caminho que liga o Monte ao continente.

Existe um caminho que liga o Monte ao continente.

Saímos pela manhã para conhecer o Monte Saint-Michel. Existe um Shuttle Bus que faz o trajeto, de dez em dez minutos, entre o núcleo onde fica os hotéis e o monte. O Monte Saint-Michel fica numa elevação granítica próxima ao litoral, na foz do Rio Couesnon, que em determinados momentos do dia, em função do movimento e da amplitude das marés, se transforma numa ilha. O assoreamento intenso na beira do rio ameaça as características naturais do Monte. Hoje o governo francês está fazendo uma obra para diminuir essa ação do assoreamento garantir a preservação das características do seu sítio histórico.

A pista suspensa que está sendo construída vai diminuir o assoreamento na base do Monte.

A pista suspensa que está sendo construída vai diminuir o assoreamento na base do Monte.

A história do lugar começou no século VIII, em 708, quando o Bispo de Avranches (Aubert), após uma visão milagrosa, mandou construir sobre o Monte Tombe, nome original do lugar, um santuário em homenagem ao arcanjo Miguel. O santuário se tornou ponto de peregrinação, fazendo um eixo religioso com outras cidades francesas como Carcasone e Avignon.

O belo claustro da Abadia do Monte Saint-Michel

O belo claustro da Abadia do Monte Saint-Michel

A partir do século X, os beneditinos se instalaram na abadia e na base do morro surgiu uma aldeia. Hoje em dia nesse local aparece uma única rua, cheia de lojinhas de suvenires, pousadas e restaurantes. A abadia do Monte Saint- Michel é o segundo mais importante ponto de visitação turística da França.

Uma ladeira estreita leva até a abadia.

Uma ladeira estreita leva até a abadia.

O Monte Saint-Michel se tornou uma fortaleza impenetrável. Resistiu a todas as tentativas de invasão dos ingleses na Guerra dos Cem Anos. Os cavaleiros franceses sitiados no interior da abadia contaram com a formação geográfica e com a fortaleza que é um exemplo de arquitetura militar.

A abadia era uma fortaleza impenetrável.

A abadia era uma fortaleza impenetrável.

Na estrutura do complexo que envolve o Monte Saint-Michel, existem vários museus que  mostram roupas e pertences de cavaleiros medievais, mas o imperdível é conhecer a abadia, os seus detalhes arquitetônicos pendurados no morro granítico.

Os arcos góticos sustentam a estrutura da abadia.

Os arcos góticos sustentam a estrutura da abadia.

Lá de cima da abadia pudemos ver a chegada de turistas que atravessavam a Baía de Saint-Michel, cumprindo a rota dos peregrinos. O detalhe é que nesse dia, como a maioria deles, na Normandia, estava muito frio e chuvoso. Se você for ao Monte Saint-Michel, a chance de estar chovendo é muito alta, os normandos perderam a noção do tempo e não sabem o que é primavera. Muito frio e muita chuva em meados de abril, mas relaxe, pois o que você vai ver por lá é algo, literalmente de “outro mundo”.

Os turistas fazem a travessia dos peregrinos no frio intenso da primavera da Normandia.

Os turistas fazem a travessia dos peregrinos no frio intenso da primavera da Normandia.

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